Setembro

Era primavera, aliás, ainda é primavera. Mas pede para que lembremos do primeiro dia. É, aquela tarde estava gentilmente pluviosa, e se lembra como se fosse agora e o sente como se ele ainda estivesse consigo.
"Ah, curioso o acontecido..." Não se referia aos beijos e nem do perfume que ainda não saia do colo dela, mas lembrava da delicada forma de como ele segurava a suas mãos enquanto dirigia. E se não fosse tão gentilmente brando, de onde surgiria o mais encanto dos sentimentos? E tocando o rosto dele ela calou a duvida e semearam juntos o que um poeta só seria capaz de colher na imensidão do infinito.
E dizem que nesse momento o céu finalmente tecia encruzilhadas de tantos desencontros, fazendo de solidões ninhos e aconchegos por onde não só a vida, mas para o amor pousar. E assim foi naquela inesquecível tarde de Setembro, e quando ele se foi, ela olhou para o céu e viu as nuvens chorarem de saudade.

Volúpia

Certamente saberás, caro amigo
Não em prosa tão astuta
Também não te arrancarei tão singela poesia
Em meio a estes teus instintos em volúpia.

Que desejo e ardor são sentidos salientes
Fazendo de nós meros estranhos
Ah, encontrarei luxúria em teus olhos
Comendo meu corpo em pranto insano.

Certamente saberás em tal ápice
Que me foge ardor, volúpia e esplendor
Que esses teus olhos libertinos
Não me provoca nada além da trivial dor.

Saberás também, caro amigo
Que te desejo ludicamente, nada mais...

O Silêncio

Quando Aurora deixou de aquecê-la sob todas as ambiguidades, ela sabia o caminho certo por onde voltar. Então revelou à todas as estrelas os segredos do bardo que velava seu sono e a maneira de como ele a olhava durante todo o ocaso, onde nascia certeza.

Ele velava o sono dela pisando em nuvens que se encontram no caminho matizado com girassóis ao pôr-do-sol e iluminado pela luz da lua quando a noite caia em pranto. Era dali que o poeta fazia seu caminho para chegar ao coração que hoje se cala(...)

Ela vai voltar? Não...

Então o bardo das noites sem flor, compreende que quando se ama em silêncio, as coisas falam melhor.

"Porque saudade que tem cheiro de orvalho em manhã de primavera, semeia seu rocio por todas as noites através dos sonhos dela."


Flor de Liz

Flor de Liz conheceu Dúvida. Que era doce, as vezes ácida. Tinha sabor de cair em deduso, e mesmo assim, Flor queria saber onde o verdadeiro sabor terminaria em sua degustação. Quando conheceu Obsoleto, ela deveria saber o gosto amargo que ele tem. Mas tinha convicção sentir na ponta da língua o seu verdadeiro sabor.

Com o passar do tempo, Flor descobriu que saudade tem cheiro de orvalho na manhã de primavera. É que, Obsoleto, a Dúvida; eles não sabiam de sua real intenção. Saudade sempre foi discreta e pertinaz, mas sempre que podia, semeava odores de rocio por todos os corações que sentem gosto de Obsoleto.

Então cada vez que saudade semeava seu cheiro, mais Flor de liz sentia o gosto de Obsoleto.
E isso até o dia em que Aurora deixa de aquecer. E Flor de Liz sente pela primeira vez, o gosto de Obsoleto, dessa vez, na ponta da língua.
Ela semeia então, por toda Aurora o sabor de ter Obsoleto e Saudade. Descobrindo o valor que dúvida tem quando saudade semeia seu cheiro de orvalho.

E Flor de Liz descobre então, que saudade e tempo, são capazes de transformar o sabor amargo que Obsoleto tem, fazendo do tempo uma doce Alquimia. Enquanto saudade agora semeia cheiro de poesia.

O tempo

Da aurora que colho suspiro, foi o mesmo que nasce ocaso.
Porque de tantos encontros que cometemos, há um que não acontece por acaso.
Daí nascem vindas e idas, dúvidas e despedidas. Não há Adeus, há tempo.
O Tempo que faz do nosso tempo, nosso infinito tormento.

Da aurora que nasce dúvida, é da certeza que sai o ocaso.
O acaso se torna hipocrisia, porque de destino é feito o acaso.
Daí nascem certezas, obsoleto se torna inimigo do tempo.
O tempo que faz de nosso tempo, um infinito encantamento.

Um bom começo

"Enquanto nossas mãos se abraçavam, tua boca calava a minha boca despertando silêncio em um coração ao grito."

kärlek

Por que o amor nunca é o suficiente?






Eu teria te amado...





...Para sempre.

E esse sentimento...

O tempo é como unguento
Remédio do padecimento
O fruto de um momento
de angústia e sofrimento

De teu brio meu tormento
O tempo foi nosso tempo
Aquilo que não tivemos

E esse sentimento...
Se acaba em um esquecimento.

Girassóis

Uma despedida dolorosa, é aquela que não há distância. É aquela que te leva a querer esquecer, por precisar. É aquela que te obriga a deixar um sentimento acabar em um frio esquecimento sem precisar do Adeus. E nunca saber quando vai terminar.

A noite de quem pensa em alguém, é como o vazio que a lua deixa quando é crepúsculo; porque ela permanece ali, e ao mesmo tempo, parece não estar.
De todos os caminhos, aquela estrada matizada com girassóis ao assistir o sol, é a estrada que me leva ao sorriso dele, e ao jeito que só ele tem de olhar.
De todas as estrelas, nenhuma me entenderia menos quando brilha; e nem mais quando deixa de brilhar, porque ele não está comigo e então, nada me importa... Porque sem ele não há caminho, e nem estrada por onde voltar.

Então me apego em sobra de poesias que ele deixou , com tantos inicios pendentes e um meio duvidoso. Aqueles que machucam em demasia... Esses que pulam de alegria ao ver tristeza depauperando, aqueles que deixam marcas todavia.

Apenas me resta saber se há certeza na dúvida, ou se há dúvida de certeza; essas coisas que nem mesmo o tempo consegue me explicar.
Sendo assim, a cada minuto que passa, eu tenho dúvida da certeza de continuar a procurar meu caminho naquele olhar.

Será que ainda posso encontrar?